Diabetes é mais do que o excesso de açúcar no sangue. Do ponto de vista médico, trata-se de uma síndrome etiológica múltipla e decorrente da ausência ou da incapacidade da insulina de exercer sua principal ação: realizar uma cascata de ativações celulares capazes de captar e internalizar a glicose circulante no sangue, levando o organismo a um quadro de hiperglicemia.
Embora a doença tenha múltiplas causas possíveis, uma coisa é certa: o número de diagnósticos não para de subir e hoje, as previsões para os próximos anos são preocupantes:

Fonte: International Diabetes Federation (IDF)
Dentre as várias formas que a doença pode se apresentar, o Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) chama atenção por ser uma condição autoimune crônica, frequentemente diagnosticada em idades muito jovens. A principal consequência da doença é que o pâncreas se torna incapaz de produzir insulina, devido a uma destruição autoimune das células Beta produtoras de insulina, o que compromete a regulação dos níveis de glicose no sangue..
A incidência anual global de DM1 é estimada em cerca de 130.000 novos casos em pessoas com menos de 20 anos, e a incidência em crianças está atualmente estimada em um aumento de 3% a 4% por ano em países com alto padrão de vida.
No Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é que 600 mil pessoas tenham o diagnóstico e, entre crianças e adolescentes, esse número soma 92.300 pacientes, o que faz o Brasil ocupar o terceiro lugar entre os países com maior incidência de DM1 infantil no mundo, segundo o Atlas da Federação Internacional de Diabetes.
Em 80% dos casos de DM1 ocorre uma destruição autoimune das
células Beta das ilhotas pancreáticas de Langerhans e essa ação é mediada por linfócitos T autorreativos . Além disso, os pacientes também produzem autoanticorpos específicos que têm como alvo antígenos das células Beta produtoras de insulina, também conhecidos da ciência, que podem ser identificados por meio de exames laboratoriais
“Diagnosticar corretamente o tipo de diabetes é essencial para selecionar o tratamento adequado para o paciente, alcançar um manejo ideal da doença e evitar complicações de longo prazo. A análise dos quatro principais autoanticorpos das células Beta [Descarboxilase do Ácido Glutâmico (GAD), Proteína Tirosina Fosfatase (IA-2), anticorpos anti-Insulina (IAA) e transportador de zinco 8 (ZnT8)] durante a avaliação diagnóstica de um paciente com suspeita de diabetes aumenta significativamente a precisão diagnóstica, uma vez que esses anticorpos são altamente específicos para o DM1 e geralmente estão ausentes em outras formas da doença.
Além disso, os ICAs podem ser detectados muito antes do início dos sintomas clínicos do DM1, tornando-os uma ferramenta valiosa para identificar indivíduos com risco aumentado de desenvolver DM1 sintomático. Identificar esses pacientes precocemente cria uma oportunidade para retardar o início da doença com terapias emergentes modificadoras da doença, reduz substancialmente o risco de cetoacidose diabética potencialmente fatal e melhora os resultados a longo prazo”, explica Tabea Hammes, mestre em Ciências Biológicas com foco em Biologia de Doenças pela University of Konstanz e gerente global de relações científicas da Euroimmun, com foco em endocrinologia e diagnósticos de saúde reprodutiva.
90% dos pacientes com DM1 testam positivo para pelo menos 1 autoanticorpo no momento do diagnóstico
Autoanticorpos estão listados em diferentes guidelines para o diagnóstico de DM1. O guideline da American Diabetes Association (ADA), por exemplo, foi publicado em 2024 e recomenda em primeiro lugar a investigação de autoanticorpos GAD e, como próximo passo, IA2 ou ZnT8.
Recentemente, a Euroimmun obteve o registro da Anvisa para o transportador de zinco 8 (ZnT8) ELISA, e, dessa forma, soma o novo exame a seu portfólio de investigação do DM1, que já incluía os testes Anti-GAD ELISA (IgG) e Anti-tirosina fosfatase (IA2) ELISA IgG.
Transportador de zinco 8 (ZnT8): o que é?
Trata-se de uma proteína transmembrana localizada na membrana dos grânulos secretores das células beta pancreáticas. Sua principal função é transportar íons de zinco do citoplasma para esses grânulos, onde se ligam diretamente à insulina.
O que o novo exame investiga?
O ensaio imunoenzimático (ELISA) permite a determinação quantitativa de autoanticorpos contra o transportador de zinco 8 (ZnT8) no soro ou plasma, auxiliando no diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1.
Todas as pessoas com DM1 têm esses autoanticorpos?
Autoanticorpos contra o transportador de zinco 8 são encontrados em 56% a 72% dos pacientes pediátricos no momento do diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 e podem ser detectados anos antes da manifestação clínica da doença.
Representam também um achado clínico importante em adultos, uma vez que a presença de anticorpos contra ZnT8 pode predizer a transição de LADA (diabetes autoimune latente em adultos) para diabetes insulino-dependente. Anticorpos contra ZnT8 estão presentes em 26% dos pacientes com diabetes mellitus tipo 1 nos quais não são detectados autoanticorpos contra GAD, IA2 ou insulina.
A detecção de anti-ZnT8 complementa a de GADA, IAA, IA2A e ICA na investigação do diabetes mellitus tipo 1 e aumenta a assertividade do diagnóstico, especialmente nos estágios iniciais
Tão importante quanto realizar o teste certo na hora certa é fazer o acompanhamento médico de pacientes que testaram positivo para os autoanticorpos específicos contra as células das ilhotas (ICAs).

Fonte: M Phillip et al., 2024 (https://doi.org/10.2337/dci24-0042)
?Os autoanticorpos implicados no diabetes tipo 1 são conhecidos como autoanticorpos específicos contra células das ilhotas (ICAs)
?Esses anticorpos são produzidos contra antígenos geralmente expressos nas células beta do pâncreas: GAD, IA-2, insulina e ZnT8
?Os autoanticorpos são cada vez mais utilizados na prática clínica para auxiliar no diagnóstico do diabetes tipo 1 e para prever a probabilidade de seu desenvolvimento em indivíduos de alto risco
?No momento do diagnóstico, quase 90% das pessoas com diabetes tipo 1 apresentam um ou mais autoanticorpos positivos
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