Vou contar o que funciona para mim - e talvez uma dessas estratégias funcione bem para você - ou quem sabe todas elas. Mas ainda há mais para se entender sobre o processo de maturar um pensamento
Minha esposa tem pesquisado na internet como uma pessoa que nunca correu pode chegar ao ponto de percorrer longos quilômetros. E a primeira coisa que ela descobriu é que ninguém começa a correr no primeiro dia de treinamento. Por mais improvável que pareça, o treinador, em geral, pede aos iniciantes que apenas caminhem - talvez em um ritmo um pouco mais acelerado do que de costume - só para criar o hábito. Assim, a partir daquele momento, a pessoa já estará se dedicando à tarefa de correr, no mesmo dia e horário, mesmo que esteja só andando. O conceito aqui é o de enxergar a longo prazo, saber qual é o objetivo e assim, dedicar mais e mais tempo a tal desejo ou meta.
E por que isso me chamou a atenção? Existe uma (falsa) noção de que, a cada pausa que nos permitimos para pensar, precisamos necessariamente ter uma ideia genial. Só que não é bem assim que funciona. Muitas vezes, as boas ideias são construídas a partir de blocos, que vão se somando gradualmente uns aos outros, um sobre o outro. Pode até parecer um golpe de intuição (e, eventualmente, acontece mesmo), mas um insight não costuma surgir do nada. Há um contexto e um histórico para os quais nem sempre damos o devido crédito.
Por isso, o processo com o qual nos comprometemos é até mais importante do que o tempo que nos dedicamos a pensar. E quero compartilhar com você ferramentas importantes que me ajudam a manter um pensamento contínuo e construtivo.
1 - O clássico caderno de anotações
Não precisa ser necessariamente um caderno de papel - embora o meu ainda seja assim -, mas tente determinar um local específico em que você possa sempre anotar o que vier à sua mente. Isso ajuda muito a organizar ideias, pois quando você registra um novo pensamento, ele se solidifica e pode ser revisitado quando você quiser melhorá-lo ou complementá-lo. Também acontece perceber - tempo depois - que aquele pensamento não vai ajudar em nada.
Atualmente, uma vez por mês, eu revisito todas as minhas anotações e uso esse tempo como forma de produzir novas ideias. Esse simples ato me ajuda a nunca perder os bons pensamentos e faz com que sejam modulares, já que posso misturar uma anotação com outra para forjar soluções inovadoras.
Mesmo com a facilidade do bloco de notas do celular e aplicativos de inteligência artificial que nos ajudam no dia a dia, anotar ideias no papel ainda funciona melhor para mim, porque registro tudo o que eu acho interessante e sempre volto para ler esse material depois.
2 - Outlook fora do padrão
Se você trabalha no corporativo, é bem provável que comece o dia abrindo o Outlook para ler os e-mails. Mas e se, ao invés disso, você iniciasse o programa em outro aplicativo, como o da agenda do dia ou a aba de tarefas (tasks)? Se você se acostuma a anotar algumas ideias nessa tela, isso pode virar um repositório de insights que você visita diariamente. Eventualmente, um pensamento desses pode se tornar uma ação efetiva a ser desenvolvida.
Sugiro que você faça essa atividade por cinco minutos, todos os dias de manhã, ou até cinco minutos na semana. O importante, como eu disse, é o processo.
Ideia envelhece igual banana: por um tempo, ainda dá para usá-la no preparo de um doce, mas depois disso ela não serve para mais nada. Por isso, ao anotar um pensamento, sempre volte para ler o que você escreveu e amadureça o raciocínio. Ideia boa é ideia nova - nem verde e nem passada
3. Uma nova (boa) ideia nasce da colaboração
Uma máxima que eu gosto de repetir é “nunca se apaixone por uma ideia”, porque ela pode não sobreviver ao crivo de outras pessoas. Aqui na EUROIMMUN Brasil nós temos usado o Microsoft Tasks, nos últimos meses, para que o time consiga se reunir, repassar e opinar sobre novas ideias. Vi relatos de que algumas reuniões na Amazon são marcadas apenas para discutir o porquê de uma ideia ser ruim, se chamam pre-mortem - o que, além de parecer em certo modo divertido, ajuda a pensar de uma forma diferente.
4. Use o tempo a seu favor - mas como?
No meu caso isso, utilizo o tempo de deslocamento de casa até a EUROIMMUN, e vice-versa, um trajeto de cerca de 40 minutos. Ao invés de escutar música, como fazia no passado, passei a dar play em podcasts. A depender da sua escolha, você recebe, nesse tempo, informações super inovadoras sobre o tema que você quiser. Eu procuro ouvir mais sobre negócios e tecnologia. Os meus podcasts preferidos são Lex Fridman e Joe Rogan Experience, justamente porque esses caras estão dedicando tempo para escutar todo o tipo de pessoas, criticar e formar seu próprio entendimento.
Esse tempo tem sido precioso pois ouço coisas que posso aplicar em diferentes partes da minha vida, da carreira à paternidade, e me faz gerar muitas novas ideias nesse trajeto tão corriqueiro, de casa para o trabalho. É certamente a hora do dia em que eu mais exerço o pensamento construtivo.
Se você não compreende bem o inglês, basta ativar no Youtube a tradução automática, que funciona bem, e permite que você receba a informação diretamente da fonte. Também indico o podcast que a EUROIMMUN Brasil lançou recentemente, o IVD Talks.
5. Diferentes cursos de interesse
A forma como se estuda está mudando, todos sabemos. Mas me responda: você preferiria fazer um curso de inteligência artificial da FGV ou na Amazon? Quem fez essa provocação foi o Romeo Busallo, que eu pude escutar ao vivo durante o congresso da StartSe, no qual levei os líderes da EUROIMMUN para que, juntos, pudéssemos construir ideias.
Neste dia, todos travamos a agenda para ouvir frases como essa, que nos fazem questionar a eficiência de um MBA de dois anos diante da possibilidade de realizar pequenos cursos de interesse com quem está colocando a mão na massa.
Talvez uma dessas estratégias funcione bem para você - ou quem sabe todas elas. O importante, também, é sempre ter em mente o seu objetivo ao pensar em novas ideias. Qual é o problema que você quer resolver com soluções mais criativas e diferentes? Só você pode responder isso e encontrar o melhor caminho para pensar mais.
Volto ao exemplo da corrida para lembrar que a evolução do pensamento é um processo de maturação. Se você vai correr descalço ou com um tênis de última geração, a escolha é sempre sua, mas a meta é chegar ao final. Só não deixe de curtir o processo, afinal, o caminho é tão importante quanto o resultado - ou a linha de chegada.
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*Marcos Philippsen é Diretor Regional de Negócios LATAM & África na EUROIMMUN Brasil, empresa de diagnóstico in vitro que une o saber científico, a excelência e o comprometimento com a vida para acelerar os avanços da medicina diagnóstica e, assim, construir uma sociedade mais saudável para todos.
Olá, sou a Josie,
a nova assistente virtual da
EUROIMMUN Brasil.