Estamos vivendo mais uma epidemia de dengue no Brasil. Enquanto escrevo esse texto, já são mais de 2 milhões de pessoas com diagnóstico provável e 682 óbitos confirmados pela doença. Isso significa que a incidência neste 2024 está muito acima da média: são 990,3 casos para cada 100 mil brasileiros. Esses são dados oficiais do Ministério da Saúde e, no momento em que esse artigo chega até você, eles provavelmente já se acenturam. Sem contar os diagnósticos de chikungunya, oropouche e outras arboviroses que costumam dar as caras nessa época do ano.
Por conta do cenário de alerta, tenho sido frequentemente questionado sobre o papel dos laboratórios, especialmente os regionais, no combate às doenças infecciosas provocadas por arbovírus. E minha resposta é que o ecossistema da medicina in vitro está muito bem organizado para atender o alto volume de testes desses últimos meses.
É verdade que há uma corrida atrás de testes de dengue e os números só devem voltar a baixar em abril. Mas, quando existem kits diagnósticos de metodologias confiáveis, como é o caso dos testes ELISA para as arboviroses, fica mais fácil para o diretor de um laboratório regional organizar processos internos para atender uma elevada demanda sazonal. O teste ELISA para o diagnóstico da dengue, por exemplo, está muito bem estabelecido e validado pela comunidade científica e, por isso, os laboratórios - sejam grandes ou pequenos, de grandes centros ou regionais - têm não só o conhecimento para fazê-lo, como também os equipamentos necessários para rodar o alto volume de amostras necessárias no momento.
Para que todos se tranquilizem: o que estamos vivenciando agora com a dengue é muito diferente do que aconteceu no passado recente, com a pandemia global de Covid-19, quando não se sabia nem quem eram - ou quem poderiam ser - os fornecedores do teste para SARS-CoV-2
As discussões agora, portanto, devem se voltar para outros aspectos importantes da gestão de laboratórios, como a precificação, além da qualidade e da metodologia dos kits oferecidos. E um ponto importante a se observar são os chamados testes rápidos.
De sete anos para cá, o alto volume de testes rápidos para arboviroses tem mudado o mercado e já há muitas licitações de prefeituras para a compra desse tipo de kit, na esperança de que os hospitais públicos possam diagnosticar essas doenças com mais rapidez. Só que a discussão sobre a qualidade da metodologia ainda é frequente.
Alguns Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) do Ministério da Saúde, por exemplo, que cuidam da epidemiologia do País e têm acesso às mais novas tecnologias, estão escolhendo realizar testes ELISA para detecção de arboviroses, por uma questão de qualidade da performance do resultado
Epidemias de dengue costumam ser mais alarmantes a cada três ou quatro anos, só que, desta vez, existe uma boa notícia que pode impactar positivamente essa tendência: a vacina. Além da Qdenga®, já incorporada no Plano Nacional de Imunizações (PNI), o imunizante desenvolvido no Butantan - com expectativa de lançamento entre 2025/2026 - deve ajudar e muito a reduzir os casos da doença no país.
Nesse momento, é preciso ter calma do ponto de vista processual, mas sem diminuir a importância do cuidado e de se tomar medidas para prevenir a doença.
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No portfólio da EUROIMMUN, além dos testes contra dengue, chikungunya e zika vírus, estamos desenvolvendo um novo kit para o diagnóstico da Febre do Oropouche e, para tal, estudamos, junto à comunidade científica, amostras bancos de sangue para entender melhor a presença do vírus no Brasil. Seguimos em busca de mais informação e ciência para ajudar o enfrentamento das doenças infecciosas no país.
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*Marcos Philippsen é country lead na EUROIMMUN Brasil, empresa de diagnóstico in vitro que une o saber científico, a excelência e o comprometimento com a vida para acelerar os avanços da medicina diagnóstica e, assim, construir uma sociedade mais saudável para todos.